Touro velho não faz pecuária boa

Touro velho não faz pecuária boa

Ainda hoje há uma boa reserva de sêmen de touros quase lendários, muitos dos quais avaliados acima de R$ 350 a dose. Aproveitando um bom bate papo com o médico-veterinário José Bento Sterman Ferraz, para uma entrevista pingue-pongue para a Revista AG, não perdi a oportunidade e o questionei sobre o assunto.

Contundente, o mestre e doutor em Genética e professor titular da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da USP não poupou críticas. Segundo ele, comprar uma genética dessa – e pagar caro por ela – é o mesmo que rasgar dinheiro. Isso, claro, pensando no efeito do melhoramento genético do rebanho.

Eu explico: seria o equivalente a desembolsar uma boa grana por um VW Santana 1996 do que por um Honda Civic, um Toyota Corolla ou ainda um Chevrolet Cruze, só porque o velho Santana era um dos melhores carros daquele tempo. Lembro que não falamos aqui da paixão de um colecionador pelo citado veículo e sim sobre a questão da potência e da tecnologia envolvidas no modelo.

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A intrigante busca pelo Novilho de Ouro

A intrigante busca pelo Novilho de Ouro

Eficiência produtiva é o novo mantra a quem depende da pecuária para sobreviver. A resposta para alcançá-la é simples, mas os meios podem ser um pouco tortuosos. Implica em uma série de reestruturações que impactam de sobremaneira o modus operandi da propriedade. Desafiador e ao mesmo tempo apaixonante, para quem não teme prosperar.

Assim como Jasão à procura do Velocino de Ouro, na mitologia grega, a aventura do pecuarista moderno é produzir o seu próprio “Novilho de Ouro” ou melhor dizendo seu novilho precoce. Mas, antes de continuar esta leitura, nobre leitor, peço licença para esclarecer que a beleza não está no produto final e sim no conceito de trabalho.

Conceito porque sua execução exige uma visão holística do negócio (guarde bem essa palavra, pois você vai ouvi-la muitas vezes nesta década),  dependerá daquilo que acontece no além-porteira. Da mesma forma que Jasão teve de enfrentar o desconhecido, o “neo-pecuarista” precisará desvendar os segredos por trás da produção de um boi bem acabado abatido entre os 24 e 36 meses, em meio a uma realidade que beira os 42.

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A remissão do caranguejo

A remissão do caranguejo

Menino ou menina, toda a criança um dia assistiu Luluzinha, seja o original de 1935, o remasterizado ou o arquivo MP4. Um dos personagens era um garoto de apelido Bolinha. Bolinha tinha um clube fechado para garotos que também levou seu nome: Clube do Bolinha.

Não sei dizer se o termo nasceu aí ou perpetuado pelo célebre apresentador Bolinha (Edson Cury), sucesso na TV brasileira nos anos 70 e 80, mas, eu, particularmente, me familiarizei através do desenho. A ABCZ, por muitas décadas, e até um passado mais recente, teve sua fase de Clube do Bolinha.

Um seleto grupo de 1.000 associados ditava o tom nas pistas e buscavam valorizar seus bovinos PO a todo custo.  O alvo, como sempre, o alto empresariado, políticos e artistas brasileiros. História que agora começa a mudar após o mercado guinar no rumo mais profissional – palpado no investimento seguro.

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