-Blog PecNética- - Aqui o touro não é de boiada!

O arranque e a eficiência do 3.0

O arranque e a eficiência do 3.0

Dizem que uma das melhores coisas da profissão de jornalista é escrever, algo que eu aprecio muitíssimo. Mas, uma das virtudes que eu mais estimo é escutar as pessoas. Muitas vezes pecamos por não ouvir quem está ao nosso redor.

Sempre surge algo de interessante numa boa prosa e por que não dizer oportuno. Escrevendo uma matéria na Revista AG sobre o touro provado que eu apelidei de Nelore 3.0, que nada mais é que o Nelore Avaliado Geneticamente, conheci o trabalho de Bruno Barcellos. 

Bruno é um entre as centenas de milhares de outros criadores existentes no Brasil e representa muito bem o processo de sucessão por qual passa a pecuária brasileira. Fazendeiro de berço, sentiu a necessidade de melhorar os índices produtivos do rebanho, bem estagnados, como veremos nas próximas linhas.

Com esta ambição, uma rotina passou a se repetir. Sempre próximo da estação de monta, um ou mais caminhões repletos de touros chegam a uma parada de descanso na Fazenda Cornichão, localizada na cidade de Rio Verde de Mato Grosso (MS), oriundos de São José do Rio Preto (SP), distante 800 km.

Depois do trato, os animais são recebidos pelos vaqueiros e seguem por mais quatro dias de caminhada até o destino final, na Fazenda São Manuel, em Corumbá, região de pasto nativo imersa no Pantanal Sul-mato-grossense.

Quem acompanhava o desembarque enxergava apenas bois, mas para Bruno Barcellos, aquele caminhão é um estimado tesouro. Uma fortuna equivalente a uma cegonha carregada de picapes 3.0, tecnologia adaptada ao ambiente rústico do campo.

Assim também são os touros arrematados, geneticamente provados a pasto. No caso de Barcellos, a tourada fora avaliada por uma dezena de características de interesse econômico rodadas pela USP-Pirassununga.

A propriedade de origem, a Agro-CFM, nascida em 1980, foi a primeira fazenda a obter o Certificado Especial de Identificação e Produção (CEIP), o qual figurará em futuros posts do PecNética.

“Não compro mais touro sem deps”, afirma contundente o proprietário da AgroBarcellos, formada pela união entre a fazenda no Pantanal, onde ficam 2.000 fêmeas Nelore para cobertura a campo, e a Fazenda Ribeirinha (Sidrolândia/MS), onde outras 1.200 matrizes Nelore são destinadas à inseminação com Angus.

Tal convicção tem uma motivação especial. Na produção em larga escala, tempo é dinheiro e neste quesito reside o maior ganho registrado no plantel da AgroBarcellos, pois em seis anos, a média de idade ao abate dos machos despencou de 60 para incríveis 24 meses.

Além disso, um ganho adicional foi percebido na fertilidade das vacas de reposição, cuja idade ao primeiro parto caiu de 36 para também 24 meses, fruto da seleção genética que as desafiou à prenhez aos 14 meses de idade.

E não só a Bruno a avaliação genética fez a diferença. Atrás dos mesmos ganhos zootécnicos é que o empresário dos ramos de construção e imobiliário Frederico Marcondes Cesar decidiu apostar as fichas na pecuária, em 2002.

Frederico Marcondes colheu os primeiros frutos de investir em genética provada após dois anos

Frederico Marcondes colheu os primeiros frutos de investir em genética provada após dois anos

O então novo criador amargou números de 65% de taxa de prenhez na estação de monta, viu os bezerros desmamarem entre 160 e 170 kg e os produtos de corte abatidos com 36 a 38 meses de idade – apesar que ainda hoje esta é uma realidade melhor do que a de muita propriedade por aí.

E após valer-se de touros mais funcionais a pasto conseguiu dar o up que tanto almejava.“Atualmente, alcançamos 92% de taxa de prenhez, os bezerros desmamam com 230 kg e o abate já acontece entre os 22 e 24 meses”, relata entusiasmado.

Subiu na balança e pesou 17@, o lote é apartado. A cabeceira cumpre o objetivo de 18 a 20 meses e o fundo aos 24-26 meses.

Mas, não se iluda, caro leitor, com “touro de boiada” o milagre não acontece!

“Também percebemos que as pessoas não querem mais um animal apenas com registro genealógico. Buscam resultados e esses são possíveis através do animal avaliado geneticamente”, observa o empresário que ingressou no Programa de Avaliação e Identificação de Novos Touros (PAINT) em 2004.

Desta forma, aproveito a deixa para o próximo post Nelore pernalta e a grama da pista e me despeço.

 

Comentários

  1. RespostaFernando A N Carvalho
    Parabéns ,Adilson ! Muito bom seus comentários,sobre a visão e trabalho ,corretos , do Bruno Barcellos e do Frederico Marcondes.
    • RespostaAdilson Rodrigues
      Dr. Fernando, tudo bem? Agradeço o comentário e a visita. Realmente, são dois ótimos exemplos de como a genética avaliada poupam tempo e dinheiro. Grande abraço, Adilson

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