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Seleção vai muito além do peso

Seleção vai muito além do peso

Este conceito foi amplamente discutido no post Nelore pernalta e a grama da pista, mas ao receber uma proposta de pauta no meu e-mail, decidi encomendar um artigo do Antônio Carlos, gerente de Bovinos de Corte da Semex.

Como já é de conhecimento comum, animais de frame grande tendem a ser mais tardios na terminação, implicando na precocidade de abate. Isso porque ao se priorizar as deps de ganho de peso, acrescenta-se apenas crescimento na bezerrada.

O problema é que estas características genéticas não predizem onde será colocado esse incremento no desempenho, se nos membros, na estrutura (ossatura), no tamanho, na carcaça, no lombo, na musculatura ou no acabamento de gordura.

Por isto é importante sempre aliar as deps de ganho de peso com as deps de AOL (área de olho de lombo), EGS (espessura de gordura subcutânea) e marmoreio, no caso do pecuarista que forneça matéria-prima para este mercado, afinal marmorizar a carne não custa barato.

Além disso, busque sempre o equilíbrio entre as características econômicas de interesse. Não se pode ter tudo sem perder alguma outra coisa.

Segundo Antônio Carlos, touros que aliam deps satisfatórias de ganho de peso a deps positivas de carcaça transmitem alto rendimento da porção comestível, precocidade de abate, acabamento de gordura satisfatório, aceleraram o giro produtivo da fazenda e ainda geram vacas sexualmente precoces.

“Aliar as deps a avaliações de ultrassom de carcaça é importante para selecionar animais superiores e decidir a época de abate nos grupos contemporâneos”, afirma o gerente. Ainda é válido lembrar que cada propriedade possui um sistema de produção distinto.

Genética, manejo, nutrição e sanidade são inerentes a cada fazenda e ao investimento provisionado pelo pecuarista. Então, antes de escolher um touro provado, é necessário conhecer a si mesmo, onde e como esse animal foi criado, assim como as características genéticas que se pretende corrigir ou melhorar no rebanho.

Segundo Antônio Carlos é sempre importante aliar deps de ganho de peso com deps de carcaça

Segundo Antônio Carlos é sempre importante aliar deps de ganho de peso com deps de carcaça

Embora existam diversos sumários de touros e ferramentas para o melhoramento genético do gado, na opinião do executivo, é necessário atentar à consistência genética do reprodutor desejado, o que interfere diretamente na padronização do rebanho.

Morfologia também importa

“Seria pertinente utilizar reprodutores oriundos de fazendas com muitos anos de seleção, com pedigrees consistentes em várias gerações com o mesmo propósito. Assim haverá o melhoramento genético com padronização acima da média”, aconselha.

Não podemos esquecer de características fenotípicas que impactam economicamente na atividade pecuária. Tratam-se de animais de bons aprumos, com umbigo corrigido, comprimento e largura de lombo, garupa ampla, larga e excelente cobertura muscular.

Reprodutores com bom temperamento também irão contribuir com os índices zootécnicos de um rebanho, facilitando manejo no curral, aumentando taxa de fertilidade das fêmeas, diminuindo tempo de adaptação nos confinamentos e melhorando consumo e conversão alimentar.

Comentários

  1. Seleção vai muito além do ...
    […] Além das características de crescimento, é sábio considerar deps como AOL, EGS, ambiente de criação e até mesmo a morfologia do reprodutor.  […]
    • RespostaAdilson Rodrigues
      Verdade, considerar números e raça eu vejo como um norte futuro da seleção de gado zebu. Abraço e obrigado pela visita!
  2. RespostaWilly Groot
    Parabéns pelo artigo sempre bem pautado e de fácil entendimento!
    • RespostaAdilson Rodrigues
      Grande, Willy, Obrigado, espero sempre comunicar numa linguagem simples e com temas sobre genética que sejam relevantes para o pecuarista. Aliás, seu artigo sobre funcionalidade é muito bom. Precisa compartilhar com o povo. Um abraço, Adilson

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