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Sêmen PS: DEP ajuda centrais faturar mais

Sêmen PS: DEP ajuda centrais faturar mais

Até o ano de 2014 apenas os mais envolvidos na comercialização de sêmen bovino conheciam o termo PS, que significa Prestação de Serviço. Este sêmen não vai para o mercado diretamente. É utilizado pelos próprios pecuaristas nos acasalamentos intrarrebanho ou comercializado por eles mesmos com outros criadores.

Sérgio Saud, presidente da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia), estima que esse segmento represente 8% da produção total de sêmen no Brasil e computa um crescimento de 12% nos últimos três anos para a categoria. Todavia, duas das maiores empresas de PS do País cresceram na ordem de 50% no mesmo período.

O executivo explica que a discrepância ocorre porque a Asbia não contabiliza doses de recomércio – sêmen adquirido das centrais PS e revendido pelas empresas comerciais. Uma prova de como esse setor é próspero está na inauguração da nova Central Bela Vista, da qual fui convidado a participar. O aporte do grupo holandês que controla  a empresa foi de nada menos que R$ 20 milhões. E ninguém “brinca” de investir com uma grana dessa.

Antes de ser adquirida do nelorista Jovelino Mineiro, a estrutura possuía capacidade para alojar 300 reprodutores e, com a nova sede, em Botucatu (SP), subiu para 500 touros. O local não foi escolhido ao acaso e, segundo seus proprietários, os 1.000 m de altitude de Botucatu propiciam uma diferença de -4°C na temperatura em relação às regiões vizinhas.

Gerson Sanches espera um crescimento de 60% na produção da Bela Vista em 2017

Os touros gostam de clima frio para produzir e a expectativa é um aumento de 20% no ejaculado. Outro forte indicador deste mercado são os números da companhia. A Central Bela Vista, de acordo com o gerente de Operações Gerson Sanches, coletou, em 2016, um volume de 1,6 milhão de doses e projeta encerrar 2017 com 2,6 milhões de palhetas, um salto esperado de 60%. A foto de abertura deste post passa uma ideia de como isso será possível.

Na Seleon Biotecnologia, que está em seu terceiro ano de funcionamento e pertence a Bruno Grubisich, não é diferente. O jovem empresário também provisionou recurso inicial de R$ 20 milhões na construção da central e, no calendário passado, comercializou 960.000 doses de sêmen e até dezembro almeja dobrar o market share da empresa baseada em Itatinga (SP), para pouco mais de 2 milhões de doses. Terreno fértil existe!

O que motiva a rápida expansão do sêmen PS?

Independente de ser para recomércio ou consumo próprio do criador, a razão do acelerado crescimento da fatia da prestação de serviço na comercialização de sêmen está na ascensão dos programas de avaliação genética.

“Touros jovens começam a ser avaliados e os testes de progênie são cada vez mais comuns entre as raças bovinas, o que alavanca a produção em centros como a Seleon”, comprova Bruno Grubisich, ao destacar ainda a contratação para coleta de touros adquiridos em leilões para repasse do rebanho.

Grubisich, inclusive, traça planos para impulsionar a coleta de touros nacionais com boas provas para abastecer programas de cruzamento industrial. Por sua vez, Gerson Sanches aponta que a contratação dos primeiros colocados de um sumário de touros pelas centrais convencionais é o caminho natural das coisas, mas deixa uma grande lacuna a ser explorada.

Bruno Grubisich aponta que a evolução dos testes de progênie colaborou para o aumento da produção

“Nesses mesmos sumários, tem o quarto, quinto e sexto colocados, animais tão bons quanto os primeiros, então, os donos desses reprodutores os coletam para emprenhar a própria vacada ou comercializar para terceiros”, ratifica Sanches.

O gerente de Operações da Central Bela Vista informa que a média de preço por dose de sêmen PS está na casa de R$ 4,00 a R$ 4,50. O fato de ser um raçador renomado não interfere na precificação, já o volume sim. Quanto maior a quantidade, mais desconto é dado.

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