Dilema dos frigoríficos: Boi inteiro x Boi castrado

Dilema dos frigoríficos: Boi inteiro x Boi castrado

Peço licença aos meus ávidos seguidores para tratar de um assunto mais abrangente, mas se está aqui é porque também envolve genética. Hoje, os frigoríficos vivem um verdadeiro dilema, entre incentivar ou não a castração de bovinos.

A manobra da indústria existe e ocorre de forma comedida, pela dificuldade em pagar maiores bonificações. Boi castrado é matéria-prima para o mercado gourmet, baseado fortemente na alimentação fora de casa, onde, segundo o IBGE, o brasileiro deixa 25% da renda.

É uma demanda parelha com a dos cortes para churrasco, no qual se exige maciez, uma capa de gordura generosa e marmoreio caprichado. A diferença é que também necessita de padronização nos cortes.

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Touro provado é a semente certificada da pecuária

Touro provado é a semente certificada da pecuária

Hoje, a agricultura é uma referência quando o assunto é adoção de tecnologia. Máquinas controladas via satélite, aplicativos de celular capazes de medir a fertilidade do solo, monitoramento rigoroso da meteorologia e dos fenômenos climáticos são algumas das ferramentas utilizadas para ajudar o agricultor a elevar a produtividade por hectare, uma métrica que aos poucos vem sendo adaptada à pecuária.

Entretanto, o principal fator que ajudou a revolucionar este setor é muito mais simples, se assim podemos definir, ou pelo menos mais fácil de explicar: a semente certificada. Desenvolvida em torno dos anos 1900 na Califórnia, nos Estados Unidos, segundo o engenheiro-agrônomo Rui Colvara Rosinha, elas passaram a ser difundidas com mais afinco no Brasil em 2003, através de um projeto elaborado pela Abrasem.

A iniciativa se mostrou assertiva e, atualmente, em torno de 80% do mercado agrícola só compra semente certificada. Isso porque os agricultores já assimilaram que apenas as sementes certificadas garantem origem, qualidade, segurança, resultado e levam inovação ao plantio. Já a grande maioria dos pecuaristas faz o contrário e aposta nas sementes de “milho de paiol”, ou seja, os touros ponta de boiada.

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Tricross, o atalho para o superprecoce

Tricross, o atalho para o superprecoce

Peço licença aos meus mentores que ensinaram que tricross é um neologismo e, por este motivo, o correto seria usar a expressão inglesa Three Crossover, termo original para designar o cruzamento triplo. Apesar de não existir, faço coro ao time de zootecnistas, médicos-veterinários e pecuaristas de todo o País e adoto o tricross mesmo, o mais curto caminho para a produção do novilho superprecoce.

Como discutido no post Do tatu com cobra ao boi de qualidade, hoje os pecuaristas contam com uma pedra fundamental muito interessante para construir suas fábricas de carne, que é a vaca meio-sangue Nelore/Angus, nossa estimada F1. Existem muitas outras opções que também geram ótimo resultado tanto no pasto quanto no confinamento, mas estas, em especial, já somam 3 milhões de cabeças na pecuária nacional.

Com faro apurado e a escolha correta da terceira raça, além de contar com boia farta no cocho, produzir bezerros terminados com 20@ aos 13 meses parece simples. Só que erros sutis podem tornar essa brincadeira onerosa, ainda mais que a saca de milho não ficará abaixo dos R$ 45-50,00, de acordo com previsões da Abramilho. Agora eu pergunto, qual seria a raça apropriada para usar em cima da meio-sangue?

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