Do tatu com cobra ao boi de qualidade

Do tatu com cobra ao boi de qualidade

Quem diria que hoje uma bezerra meio-sangue Nelore x Angus superaria R$ 2.000,00. Impressiona ainda mais ela ser utilizada como matriz.

Na década de 90, muito pecuarista não tinha destino a um bicho “desse”, quando a mestiçagem de raças enfrentava o primeiro demérito.

A primeira tentativa, frustrada, esbarrou no desconhecimento técnico dos pecuaristas e, em outros casos, fora negligência mesmo.

Como o cerne da pecuária brasileira é a produção a pasto, instintivamente qualquer reprodutor, mesmo sendo taurino, era desafiado lá naquele sol ardido de 42ºC à sombra.

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A remissão do caranguejo

A remissão do caranguejo

Menino ou menina, toda a criança um dia assistiu Luluzinha, seja o original de 1935, o remasterizado ou o arquivo MP4. Um dos personagens era um garoto de apelido Bolinha. Bolinha tinha um clube fechado para garotos que também levou seu nome: Clube do Bolinha.

Não sei dizer se o termo nasceu aí ou perpetuado pelo célebre apresentador Bolinha (Edson Cury), sucesso na TV brasileira nos anos 70 e 80, mas, eu, particularmente, me familiarizei através do desenho. A ABCZ, por muitas décadas, e até um passado mais recente, teve sua fase de Clube do Bolinha.

Um seleto grupo de 1.000 associados ditava o tom nas pistas e buscavam valorizar seus bovinos PO a todo custo.  O alvo, como sempre, o alto empresariado, políticos e artistas brasileiros. História que agora começa a mudar após o mercado guinar no rumo mais profissional – palpado no investimento seguro.

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HáHáHá… DEP, o que é isso?

HáHáHá… DEP, o que é isso?

Tive meu primeiro contato com o melhoramento genético em bovinos de corte ainda nos idos finais da década de 1990. A pecuária ainda colhia resquícios dos anos vindouros, quando a criação de gado não passava de uma poupança monetária a céu aberto. Um dinheirinho extra para fazer o pé de meia dos filhos.

Depois de ouvir tantos pecuaristas, entendi que se tratava de uma herança cultural dos anos 60 e 70 e imagino que este tenha sido o grande obstáculo para a pecuária evoluir. A atividade encontrava-se estagnada, com bois literalmente largados em pastos degradados, levando a um abate absurdamente tardio, entre cinco e seis anos de idade, e a atividade a um estereótipo extrativista.

Simultaneamente, o cruzamento industrial amargava sua primeira derrocada. Cruzava-se “tatu com cobra” e esperava-se que o tucura rendesse algo de espantoso. Muitas raças pagaram um preço alto por conta do erro dos pecuaristas na escolha dos indivíduos, a exemplo do Limousin – o “Angus” daquele decênio e atualmente nas mãos de pouquíssimos criadores.

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