Touro provado é a semente certificada da pecuária

Touro provado é a semente certificada da pecuária

Hoje, a agricultura é uma referência quando o assunto é adoção de tecnologia. Máquinas controladas via satélite, aplicativos de celular capazes de medir a fertilidade do solo, monitoramento rigoroso da meteorologia e dos fenômenos climáticos são algumas das ferramentas utilizadas para ajudar o agricultor a elevar a produtividade por hectare, uma métrica que aos poucos vem sendo adaptada à pecuária.

Entretanto, o principal fator que ajudou a revolucionar este setor é muito mais simples, se assim podemos definir, ou pelo menos mais fácil de explicar: a semente certificada. Desenvolvida em torno dos anos 1900 na Califórnia, nos Estados Unidos, segundo o engenheiro-agrônomo Rui Colvara Rosinha, elas passaram a ser difundidas com mais afinco no Brasil em 2003, através de um projeto elaborado pela Abrasem.

A iniciativa se mostrou assertiva e, atualmente, em torno de 80% do mercado agrícola só compra semente certificada. Isso porque os agricultores já assimilaram que apenas as sementes certificadas garantem origem, qualidade, segurança, resultado e levam inovação ao plantio. Já a grande maioria dos pecuaristas faz o contrário e aposta nas sementes de “milho de paiol”, ou seja, os touros ponta de boiada.

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HáHáHá… DEP, o que é isso?

HáHáHá… DEP, o que é isso?

Tive meu primeiro contato com o melhoramento genético em bovinos de corte ainda nos idos finais da década de 1990. A pecuária ainda colhia resquícios dos anos vindouros, quando a criação de gado não passava de uma poupança monetária a céu aberto. Um dinheirinho extra para fazer o pé de meia dos filhos.

Depois de ouvir tantos pecuaristas, entendi que se tratava de uma herança cultural dos anos 60 e 70 e imagino que este tenha sido o grande obstáculo para a pecuária evoluir. A atividade encontrava-se estagnada, com bois literalmente largados em pastos degradados, levando a um abate absurdamente tardio, entre cinco e seis anos de idade, e a atividade a um estereótipo extrativista.

Simultaneamente, o cruzamento industrial amargava sua primeira derrocada. Cruzava-se “tatu com cobra” e esperava-se que o tucura rendesse algo de espantoso. Muitas raças pagaram um preço alto por conta do erro dos pecuaristas na escolha dos indivíduos, a exemplo do Limousin – o “Angus” daquele decênio e atualmente nas mãos de pouquíssimos criadores.

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