-Blog PecNética- - Aqui o touro não é de boiada!

Touro provado é a semente certificada da pecuária

Touro provado é a semente certificada da pecuária

Hoje, a agricultura é uma referência quando o assunto é adoção de tecnologia. Máquinas controladas via satélite, aplicativos de celular capazes de medir a fertilidade do solo, monitoramento rigoroso da meteorologia e dos fenômenos climáticos são algumas das ferramentas utilizadas para ajudar o agricultor a elevar a produtividade por hectare, uma métrica que aos poucos vem sendo adaptada à pecuária.

Entretanto, o principal fator que ajudou a revolucionar este setor é muito mais simples, se assim podemos definir, ou pelo menos mais fácil de explicar: a semente certificada. Desenvolvida em torno dos anos 1900 na Califórnia, nos Estados Unidos, segundo o engenheiro-agrônomo Rui Colvara Rosinha, elas passaram a ser difundidas com mais afinco no Brasil em 2003, através de um projeto elaborado pela Abrasem.

A iniciativa se mostrou assertiva e, atualmente, em torno de 80% do mercado agrícola só compra semente certificada. Isso porque os agricultores já assimilaram que apenas as sementes certificadas garantem origem, qualidade, segurança, resultado e levam inovação ao plantio. Já a grande maioria dos pecuaristas faz o contrário e aposta nas sementes de “milho de paiol”, ou seja, os touros ponta de boiada.

Abrem mão dos benefícios e da confiabilidade gerados pelas sementes certificadas da pecuária, os nossos touros provados nos programas de avaliação genética. “Os agricultores já perceberam que a relação custo-benefício das sementes certificadas é mais positiva”, atesta Cláudio Manoel da Silva, conselheiro da Abrasem. Cabe a mim, então, apenas dizer que o exemplo para a criação de gado está aí.

Talvez um dos obstáculos para o salto evolutivo da pecuária seja o fato de o pecuarista tradicional não compreender o potencial retorno econômico que um touro provado, hoje vendido a 60@, pode gerar. Para dar uma força, o PecNética encontrou a resposta em dois resultados endossados pela ciência. Tomemos como base quanto um touro melhorado no Programa Geneplus/Embrapa retornaria em valor em cada bezerro desmamado.

O pesquisador Antônio do Nascimento Ferreira Rosa concluiu que cada bezerro gerado por um touro testado pelo programa retornaria aproximadamente R$ 73,25, dinheiro referente aos 14,65 kg extras obtidos na dep de peso à desmama (PD) registrados no sumário de 2014. O cálculo levou em conta o valor de R$ 5/kg de bezerro obtido nas vendas de uma leiloeira do Mato Grosso do Sul naquele mesmo ano.

Vale ressaltar que para chegar a este resultado Antônio Rosa teve a preocupação de aproximar a média produtiva do Sumário Embrapa Geneplus à realidade produtiva da pecuária comercial, para considerar efeitos de um manejo mais precário, o que recuou a média do programa nesta característica pela metade. Ao multiplicar esse valor por grandes volumes, gerariam-se condições para que esses touros melhoradores – normalmente considerados mais “caros” pelos fazendeiros – se pagassem na primeira estação de monta.

Vacas Touros ativos Bezerros por ano Receita extra/ano (R$)* Touros p/reposição** Saldo (R$)
125 5 94 6.867,19 1 367,19
250 10 188 13.734,38 2 734,38
500 20 375 27.468,75 4 1.468,75
1.000 40 750 54.937,50 8 2.937,50

*Multiplicação de R$ 73,25/bezerro a partir de dados médios de 2014;

** Valor médio do touro: R$ 6.500,00 (≈50@, @=R$128,77; média de 2014).

Relação touro:vaca de 1 para 25; Taxa de desmama: 75%. Fonte: Sumário Geneplus Nelore 2014

"O grande desafio é produzir em escala uma semente verdadeiramente melhoradora e já evoluímos muito nisso devido aos programas de melhoramento genético", diz o leiloeiro Adriano Barbosa

“O grande desafio é produzir em escala uma semente verdadeiramente melhoradora e já evoluímos muito nisso devido aos programas de melhoramento genético”, diz o leiloeiro Adriano Barbosa

Outro estudo muito interessante elaborado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA/USP), em parceria com a Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), comparou propriedades que utilizam touros provados zebu versus boi ponta de boiada. Em relação ao faturamento numa fazenda de cria que investe em touros melhorados no estado do Mato Grosso, por exemplo, a diferença na margem líquida de lucro em comparação a outra que opta pelo boi ponta de boiada foi de impressionantes 77,2%.

Em outra de recria e engorda no estado de São Paulo, o rendimento por hectare superou espantosos 400%. Além disso, a genética provada também se mostrou um bem social. Uma das constatações é que os funcionários de fazendas que fazem mão de reprodutores avaliados com DEPs na reprodução do rebanho têm melhores condições para investir na educação dos filhos.

 “Hoje um saco de milho custa por volta de R$ 40, e um de sementes por volta de R$ 500. Na hora de multiplicar os resultados é preciso utilizar uma semente certificada e que garanta a produtividade. O touro é essa semente da pecuária”, pontua o leiloeiro cujo martelo comercializou 8 mil touros e 2  mil matrizes em 2015.

Sugiro a leitura dos dois artigos  intitulados Vale a pena investir em touros geneticamente superiores?” e O impacto da genética na rentabilidade da pecuária de corte e de leite na íntegra. E fica o recado, caro leitor, pense duas vezes antes de abrir mão de tais resultados!

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